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© 2019.:Festival de Fotografia de Paranapiacaba 

EDIÇÃO 2019 - TEMA

ARTE: BIANCA FERRAZOLI,

DENIS ALVES E GIOVANNI AVIZ

PULO O MURO
DO MEDO E 
MUDO A PORTA 
DO MUNDO
CORROO, DERRUBO
INFILTRO ARTE, QUE TRANSFORMA
OPRESSÃO EM TELA

POR: PAULA LIRA

Do muro de execução e segregação, brota linguagem de resistência e rebeldia, vira pixo, vira palco, vira grafite, vira lambe, escultura e galeria. Apropriação e ocupação, grito que busca despertar a cegueira coletiva, tornando visíveis os muros que nos separam.

A linha que exclui e coloca seres humanos à margem é física e também invisível, mas não menos palpável. Em uma sociedade pautada pelo consumo, existem fronteiras que limitam o ir e vir, o acesso a determinados espaços e o direito à cidade. Neste universo, não se enxerga mais o ser humano, apenas seu poder de consumo. E quem tem o poder, constrói muros cada vez mais altos e se aprisiona em espaços privados, na ilusão da proteção e da abstenção do que acontece fora, separando os de dentro e os de fora. Enquanto isso, os de fora, tendo sido subtraídos de seus direitos e não sendo reconhecidos também humanos, são encarcerados em caixas de estereótipos e preconceitos, criminalizados e executados. 

Segregam-se bairros, em condomínios, guetos e favelas; cidades e países inteiros separados por conflitos políticos e religiosos; fecham-se fronteiras em todo o mundo e o muro entre eu e o outro aumenta e se aprofunda em uma polarização doentia. Sul e norte, oriente e ocidente, católicos e protestantes, capitalistas e comunistas. Cada um em suas bolhas geográficas e ideológicas, vivem sob controle, reprimidos e amordaçados entre iguais, ignorando a liberdade física e mental que só

a diversidade pode oferecer. 

Há 30 anos, caía o muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria, que separou a Alemanha e famílias inteiras por 28 anos. Um lembrete para o mundo de que é possível destruir certas barreiras, e ainda há muitas a serem derrubadas. Algumas, que caem sob a força de uma marreta ou um trator, outras mais profundas e enraizadas, como dogmas, crenças e preconceitos, que se dissolvem com o tempo, arte, educação, consciência, autoconhecimento e porque não, afeto. 

Por outro lado, existem as barreiras que nos lembram que deveriam ser preservadas e cuidadas com responsabilidade, como as de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. E há ainda aquelas, que em nome do progresso e da mobilidade, precisaram ser vencidas no passado, como a muralha da Serra do Mar, em São Paulo. História preservada pela Vila de Paranapiacaba e suas ferrovias. 

O limite entre o que liberta e o que aprisiona, muitas vezes, é tênue e frágil. O progresso e a tecnologia trouxe o celular conectado em rede, que tanto pode expandir os horizontes e quebrar fronteiras, como também ser uma prisão portátil, que amplia a separação com a pessoa ao lado. O medo que nos atravessa é o que nos afasta do perigo, mas em excesso, também é o muro que nos limita, impede de sair da zona de conforto e realizar sonhos.

Entre muros visíveis e invisíveis, que muros são esses que nos atravessam?

O que nos leva a separar o dentro e o fora, o eu e e o outro? 

E se o outro for um espelho de mim mesmo e

o fora um reflexo do que está dentro?

E se não existisse o fora?

Para o que fechamos os olhos e o que nos leva a abri-los?